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Concelho de Ponte de Sor: história e património

O nome de Ponte de Sor deriva do monumento de origem provavelmente romana construído sobre a Ribeira de Sor, em cuja margem direita a cidade se situa. É possível que essa primeira ponte, de que hoje não restam quaisquer vestígios, tenha integrado uma das vias romanas que ligavam Mérida (Emerita Augusta), capital da província da Lusitânia, a Lisboa (Olissipo).

Os vestígios arqueológicos e as fontes documentais indicam que, após a queda do Império Romano, o território do atual concelho perdeu importância e, encontrando-se numa zona de conflitos constantes durante a Reconquista, só voltou a ser povoado no século XIV, sob o incentivo de D. Dinis. Nos séculos seguintes, o lugar e, depois, vila de Ponte de Sor recebeu privilégios de vários monarcas e foi-lhe outorgado o Foral Manuelino em 29 de Agosto de 1514.

Ignora-se quando é que a primeira ponte construída sobre a Ribeira de Sor ruiu, mas é certo que no século XVIII não existiam mais do que vestígios dessa estrutura. A travessia da Ribeira era feita através de um caminho a jusante da Ponte hoje existente e de uma barca, cuja exploração era arrendada a terceiros pelo Município.

A atual Ponte foi construída em 1822-1823, no reinado de D. João VI. Parte dela ruiu durante uma cheia poucas décadas depois e foi recuperada (1867), substituindo-se os arcos destruídos, no leito da Ribeira, por três grandes arcos de cantaria, que se mantêm até aos nossos dias.

Ponte de Sor, situada num ponto de confluência das rotas norte-sul e este-oeste, nasceu e desenvolveu-se como local de passagem. O seu núcleo histórico situa-se junto à Ribeira e à Ponte, em torno do edifício dos antigos Paços do Concelho e da primitiva Igreja Matriz (ruiu no final do século XIX e localizava-se no largo em frente ao Mercado Municipal). Na Rua Grande (hoje Rua Vaz Monteiro), no seguimento da Ponte, situar-se-iam mais do que uma estalagem e o Hospital da Santa Casa da Misericórdia, destinados a acolher e a tratar os viandantes.

O concelho de Ponte de Sor atingiu a sua extensão atual no século XIX, com a anexação dos de Galveias (1836) e Montargil (1871), e a vila conheceu uma expansão progressiva e quase constante desde o final de oitocentos. Para tal muito contribuíram a chegada do caminho-de-ferro, nos anos de 1860, sendo a Estação de Ponte de Sor uma das mais importantes da Linha do Leste, e a indústria, em especial a corticeira, que se instalou nos últimos anos do século XIX e nos primeiros do XX.

Resultado do desenvolvimento registado ao longo do século XX, a vila de Ponte de Sor foi elevada a cidade em 8 de julho de 1985. Implantada num importante nó estratégico, no cruzamento rodoviário entre Lisboa, Beiras e Alentejo, é atualmente uma referência para a indústria corticeira mundial, integrando ainda empresas ligadas aos ramos aeronáutico, de transformação de produtos agrícolas, de construção civil, entre outros. O concelho de Ponte de Sor ocupa hoje a área total de 839.230 km2 e tem uma população de cerca de 17.000 habitantes (2011), sendo constituído por cinco freguesias, nomeadamente: Foros de Arrão, Galveias, Longomel, Montargil e União das Freguesias de Ponte de Sor, Tramaga e Vale de Açor.

Em relação ao património arqueológico e arquitetónico do concelho, são de assinalar, em primeiro lugar, numerosos vestígios que comprovam a presença humana nesta região desde a Pré-História, merecendo especial destaque o Núcleo Megalítico de Montargil, que inclui várias antas. Da época romana, subsistem a Necrópole de Santo André (Montargil), de 50 a 120 d.C., os marcos miliários da via Lisboa/Mérida, para além de outros testemunhos epigráficos e ligados ao quotidiano (cerâmica comum, materiais de construção). A quase ausência de vestígios do período medieval poderá explicar-se pela instabilidade a que estaria sujeita esta zona durante as lutas da Reconquista. Contudo, junto à Ribeira de Sor, podem ver-se os restos adulterados de uma cerca mandada construir por D. Duarte, que já estava começada em 1438 e nunca chegou a ser concluída.

Da época moderna, são de salientar os vários exemplares de arquitetura religiosa existentes nas três freguesias do concelho, sobretudo dos séculos XVII e XVIII e sob a forma de pequenas igrejas e capelas rurais, obedecendo a um modelo simples. As construções mais destacadas são a Igreja da Misericórdia de Montargil, que remonta a 1578, a Igreja Matriz da mesma vila, cuja Sacristia ostenta uma Janela gradeada no exterior em ferro forjado do século XVII, e principalmente o conjunto da Misericórdia de Galveias, com Igreja e Consistório, do século XVIII, classificado como Imóvel de Interesse Público, desde 1977. Na cidade de Ponte de Sor, destaca-se a Capela de São Pedro, já existente no início de setecentos e que funcionou como Matriz no período entre a ruína da primitiva Igreja e a inauguração da atual (1887-1903). No plano da arquitetura civil, é de referir ainda em Ponte de Sor a Fonte da Vila, junto à Ponte, que data possivelmente de meados do século XVIII (reinado de D. João V).

Ao período contemporâneo, pertencem alguns exemplares de arquitetura religiosa, como a Capela do Senhor das Almas, em Ponte de Sor, que datará do século XIX, ou a Igreja Matriz da atual cidade, inaugurada em 1903. A nível civil, destaca-se a já referida Ponte sobre a Ribeira de Sor, construída em 1822-23 e alterada em 1867, depois de uma ruína parcial, e em 2004, para alargamento do tabuleiro. Salientam-se do mesmo modo alguns prédios urbanos de dimensões consideráveis e arquitetura eminente no plano local, com funções públicas e privadas, nomeadamente, o antigo edifício dos Paços do Concelho de Ponte de Sor, construído em 1886 e aumentado em 1894, albergando a Câmara Municipal, o Tribunal da Comarca e a Cadeia Municipal; bem como as casas residenciais oitocentistas das famílias Góis, em Ponte de Sor (na Rua Vaz Monteiro), e Braga, em Galveias (em frente à Igreja Matriz). Já do século XX, vale ainda a pena referir, em Ponte de Sor, os edifícios do Teatro-Cinema e do Hospital Vaz Monteiro, pertencente à Misericórdia, inaugurados em 1936.

Bibliografia:
ANDRADE, Primo Pedro da Conceição Freire de – Cinzas do Passado. Revisão crítica por Ana Isabel Coelho Pires da Silva. Ponte de Sor: Câmara Municipal de Ponte de Sor, 2010.
PONTIS, Grupo de Estudos Arqueológicos de Ponte de Sor – Carta Arqueológica de Ponte de Sor. Ponte de Sor: Câmara Municipal de Ponte de Sor, 1999.
Montargil na rota do sagrado. Montargil: Associação Nova Cultura de Montargil, 2011.

Ana Isabel Coelho Silva (Historiadora)
Agosto 2013

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