RETALHOS DA SUA HISTÓRIA
A freguesia de Tramaga foi fundada por Decreto-Lei, datado de 11 de Junho de 1993. Derivou da freguesia de Ponte de Sor e apresenta os seguintes contornos geográficos: a norte, confronta com o limite sul do concelho de Abrantes, ao longo da estrada nacional nº. 367 até ao cruzamento com a estrada nacional nº. 2; a nascente, orienta-se em direcção ao ribeiro do Zambujinho, que percorre até à foz na ribeira de Sor; a sul, estende-se a partir da foz da ribeira de Vale de Boi até ao limite das freguesias de Galveias e Montargil, com esta última confrontando-se ainda a poente com Foros de Arrão.
Tramaga dista da sede de concelho cerca de 3 km. Próxima da ribeira do Sor e do ribeiro do Padrão ou das Ónias, foi conhecida durante muito tempo como aldeia da "Água de Todo o Ano".
A história desta povoação está intimamente ligada à história da freguesia de Ponte Sor. Fora certamente povoada no tempo dos romanos, que fundaram uma via militar, mais conhecida por estrada do Alicerce, e em termos eclesiásticos estivera subordinada ao poder da Ordem dos Templários.
A demonstrar a antiguidade deste local existe um conjunto de três moinhos hidráulicos de rodízio localizados nas margens do rio Sor, entre Sobreira e Tramaga Pensa-se que tenham sido construídos no século XIII.
No ano de 1864, segundo os registos históricos, já existia esta povoação, com o nome de Água Todo-o-Ano, tendo 11 fogos e 40 pessoas. Na altura esta pequena aldeia era atravessada pela antiga e movimentada estrada de Montargíl. A proximidade com essa via de comunicação e ainda o aforamento e povoamento de terras, que foram divididas em glebas, trouxeram-lhe prosperidade.
O nome de Tramaga foi-lhe dado pelo povo, não há muitos anos. Primo Pedro da Conceição Freire Andrade explica a mudança de nome, do modo seguinte. "O lavrador do Cansado, António Manuel Roças, passava por ali, quase diariamente, para ir à sua herdade. Um dia, em conversa com um habitante do lugar, apreciavam o desenvolvimento que esta estava tomando. O seu interlocutor afirmava que, a continuar assim, a povoação dentro em pouco se tornaria numa aldeia, ao que aquele redarguiu, em tom depreciativo: - Ora, Aldeia de Tramaga!". O motivo que terá levado a tão imediata denominação, com a qual rapidamente o povo se familiarizou, deveu-se à abundância de tramagas na aldeia. O autor citado refere que as próprias estações oficiais a aceitaram, sem relutância, e "nem sequer esperaram que o Governo sancionasse, como era necessário, a mudança de nome".
A povoação foi crescendo e apropriando-se de lugares, como Caldeirão e Casas Novas. Desenvolveu a sua indústria de carvão de lenha, de corte de eucaliptos, a extracção de cortiça, a própria indústria de pré-esforçado, o cultivo da azeitona e a produção de tabaco e ainda, o pequeno comércio tradicional.
PATRIMÓNIO CULTURAL
Na freguesia de Tramaga a nível de património local apresenta um curioso conjunto de três moinhos hidráulicos de rodízio. Pensa-se que tenham sido construídos no século XIII, pois são construções bastante antigas, feitos em pedra e argamassa com coberturas abobadadas. Estes exemplares, recordam o trabalho de dezenas de gerações de moleiros que, outrora, faziam a farinha para os seus fregueses.
Merece ainda menção a Igreja Matriz e a Capela do Monte Velho (Capela do Senhor da Fonte Santa).
Pedro Primo da Conceição Freire de Andrade, referia que no local onde se situa o "Moinho Novo", existia um admirável pego, com grande abundância de peixe, óptimo para a pesca à cana.
ORAGO: Nª. Srª. da Salvação
POPULAÇÃO: 1.739 habitantes (Censos 2001)
ACTIVIDADES ECONÓMICAS:
Indústria de carvão de lenha, extracção de cortiça, indústria de pré-esforçado, agricultura, pequeno comércio, construção civil e o corte de eucaliptos.
FESTIVIDADES:
Romaria a Stº. António da Amieira - 5.ª Feira da Paixão (Páscoa);
Festa Popular - Fim-de-Semana da Páscoa.
ARTESANATO:
Objectos em madeira e cortiça, "couchos" e tapetes de Arraiolos.
GASTRONOMIA:
Achigã grelhado, lebre e coelho bravo à caçador assado na brasa com arroz, perdiz e pombo bravo.